quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Reavaliando "Crime e Castigo"


Há algum tempo reclamei nesse mesmo espaço a minha incapacidade de ler cenas violentas e minha frustação ao abandonar a leitura de "Crime e Castigo", uma obra-prima de Dostoiévski.

Porém uma das minhas poucas leituras essas férias foi ele e finalmente felicito aqueles que já sentiram o mesmo prazer que eu, dizendo “Eu terminei!” Cheguei a chorar no término (o que não é grande coisa hoje em dia, se eu imaginasse que estaria me emocionando tão facilmente não teria zombado tanto das pessoas que se derretem ao assistir "Titanic").

Posso dizer que mesmo em um lugar tão distante e costumes tão diferentes e austeros (tanto pela época, meados século XIX, como pelos costumes) e me sentia em uma realidade não muito diferente da minha. A pobreza, a prostituição infantil, o alcoolismo, fé e princípios distorcidos são alguns dos temas usados pelo autor na em seu livro.

Ainda em uma Rússia czarista, um jovem estudante de Direito se vê obrigado a encerrar seu estudo temporariamente por dificuldades financeiras. Sem trabalho, dinheiro, comida e devendo o aluguel de um quarto quase menor que ele próprio, ele faz os primeiros preparativos para o crime que o colocaria a prova de sua própria "teoria" e o resultado diria a qual grupo de indivíduos ele pertence: aos Ordinários ou aos Extraordinários.

Rodion Romanovitch Raskólnicov (o jovem mencionado) dividiu minhas emoções entre a simpatia e o asco .Era impossível não se compadecer ao sofrimento dele. O assassino sentia uma culpa violenta pela morte das vítimas, pelos inocentes que estavam presos em seu lugar e a vergonha de cometer ato tão repugnante com pretextos tão baixos.

A presença de Sônia deixava-o ainda mais envergonhado. A jovem de apenas 18 anos tinha um pai viciado, uma madrasta doente e três irmãos para sustentar, e como não tinha instrução, acabou prostituindo-se ainda adolescente, mas mesmo assim manteve-se digna, jamais perdeu a fé e nunca prejudicou ao próximo.

Outras personagens importantes que valem a pena conhecer são o astuto Porfiri Pietróvitch, o miserável e nojento Lújin, a responsável irmã de Rodion, Dúnia e o atencioso Razumíkhin.

É uma obra generosa (minha edição tem mais de 550 páginas com as clássicas letras miudinhas das edições de bolso), com diálogos gigantescos e envolventes, principalmente as conversas entre Rôdia (Rodion ) e o inspetor de polícia Porfiri Pietróvitch, que mais pareciam uma luta física e quando acabavam o leitor já se sentia tão cansado que precisava de uma pequena pausa para respirar .Para quem considerar-se apto para apreciar essa pintura macabra da cidade da São Petersburgo assinada por Dostoiéviski, boa leitura!

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